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8.22.2012

gente iluminada




as pessoas acendem. a iluminação está diferente.
as pessoas levantam. a iluminação está diferente.
as pessoas fecham a porta. a iluminação está diferente.
as pessoas escovam os dentes. a iluminação está diferente.
as pessoas trabalham. a iluminação está diferente.
as pessoas folgam. a iluminação está diferente.
as pessoas tomam café. a iluminação está diferente.
as pessoas falam. a iluminação está diferente.
as pessoas calam. a iluminação está diferente.
as pessoas dirigem carros. a iluminação está diferente.
as pessoas pegam metrôs. a iluminação está diferente.
as pessoas veem blockbusters. a iluminação está diferente.
as pessoas comentam o futebol. a iluminação está diferente.
as pessoas assistem shows de rock. a iluminação está diferente.
as pessoas usam fones de ouvido. a iluminação está diferente.
as pessoas tocam canções de amor. a iluminação está diferente.
as pessoas escrevem cantos de amor. a iluminação está diferente.
as pessoas ressuscitam os mortos. a iluminação está diferente.
as pessoas compram pipoca. a iluminação está diferente.
as pessoas beijam na boca. a iluminação está diferente.
as pessoas fazem orações. a iluminação está diferente.
as pessoas fazem macumba. a iluminação está diferente.
as pessoas fazem downloads. a iluminação está diferente.
as pessoas choram com Roberto Carlos. a iluminação está diferente.
as pessoas choram com Radiohead. a iluminação está diferente.
as pessoas imploram. a iluminação está diferente.
as pessoas limpam os olhos. a iluminação está diferente.
as pessoas perdem os olhos. a iluminação está diferente.
as pessoas leem Joyce e Proust. a iluminação está diferente.
as pessoas escrevem diários. a iluminação está diferente.
as pessoas fumam maconha. a iluminação está diferente.
as pessoas bebem cachaça. a iluminação está diferente.
as pessoas tomam comprimidos. a iluminação está diferente.
as pessoas cuidam do jardim. a iluminação está diferente.
as pessoas alimentam cães. a iluminação está diferente.
as pessoas alimentam bois. a iluminação está diferente.
as pessoas alimentam as pessoas. a iluminação está diferente.
as pessoas deixam as pessoas. a iluminação está diferente.
as pessoas apagam as pessoas. a iluminação está diferente.
as pessoas apagam. a iluminação está diferente.
a iluminação está diferente. a iluminação está diferente.


.:gabriel resende santos
imagem de robert vickrey

8.14.2012

lista de compras psicótica

espuma de barbear
detergente
amêndoas
suco
tomate
sardinha
iogurte
sabão em pó
aranhas gigantes
uma cidade na Lua
mundos subterrâneos
nave atômica (percurso de dez horas)

.: marcio markendorf

2.19.2012

a sátira mais longa que tenho



inspiro


                            
o       oxi
       
gênio
                      dentro de cada tertúlia

                                  mal
                                  icioso  

           da

epi

                derme

                        {([}

          -leia no
           espaço chiaroescuro -

nas colchas de elétron

     en

quant   o     a                       dentro da vírgula ,,,,
                                                         tanta coisa fingindo
                                                       que eu podia até conversar 
                                                       gosta de marianne moore? 
 quan                                           dentro do fracasso inevitável
        tum *

      guardo[          will       gui          sté        gê

na m
esma frequ         (refe.e.rência?)
                                                                ência
                                                                 n

altura                            jogue os dados no &
              e
mente           o                                      existe uma dor - cummings ou não

           semp

it

          ermo

                                           um objeto-poema pede sua chave


expiro.
                                                         o poema se pontua

.:gabriel resende santos


2.12.2012

O Duelo


O duelo havia sido marcado para as três da tarde.
O motivo do conflito ninguém sabia, mas todos queriam ver.
Um mês antes deu-se início aos preparativos.
Diariamente os jornais locais tratavam do acontecimento da década.
Resolveram até cobrar entradas, a preço de final de campeonato de futebol.
Na noite anterior ao confronto, os oponentes se encontraram em um bar.
Deveriam sentir raiva, mas já não sabiam o motivo da briga.
Se abraçaram então. Selaram as pazes.
Mas o espetáculo não poderia ser cancelado em função de uma simples reconciliação.
Por respeito, um matou ao outro.

.: philipe macedo pereira

1.08.2012

conVersando








orgulho                  {não}                                 recente      :




b l a k e apareceu

& me apeteceu dizendo       :

look meus parabéns

pelo que você vem fazendo

ocultamente

                                         não era a r n a u t
                                         não era a r t a u d

                                         mas obrigado
                                         
                                         tentei responder

                                         timidamente

                                         pelos elogios plásticos

                    "                destalgaravia tudo me parece

                                         bem mais evidente                "


isto em que

b l a k e perde

k  &

e

mergulhando regurgito

abaixo

rimas de a com A

infinitamente                                 ...





        {no}                         ...h o                    ( rtcnt )





.:gabriel resende santos



8.26.2011

psicose: a origem


Psicose: a origem

Legendado | Gênero: Drama | Classificação: 16 anos | Duração: 108 min

O filme conta a história do pequeno Norman Bates alguns anos antes de tornar-se a terrível figura do Bates Motel. Uma vida dramática, cercada de humilhações e espancamentos por parte da mãe, fatores responsáveis por seu desligamento da realidade.

.:marcio markendorf

7.27.2011

Os Vigilantes do Peso



No futuro, o Estado Mundial será dominado por uma nova ordem fascista conhecida por Os Vigilantes do Peso. Nesse tempo não será fácil ser um rebelde do corpo porque os agentes do governo estarão infiltrados em todos os setores. A própria população, sob o efeito clônico da educação estatal, ocupará o papel de sentinela, tarefa na qual caberá a cada um vigiar a todos. Os cidadãos dessa sociedade viverão sob o regime marcial dos pontos e das cotas alimentares, sofrendo para manter o equilíbrio da balança da comunidade global. Acaso algum indivíduo oscile em seu índice de massa corporal será abordado pelos policiais secretos com a seguinte saudação-ordem de prisão: "Quanto tempo! Como você engordou/emagreceu". O negligente capturado será encaminhado para reuniões de grupos de tortura e deverá regular sua dieta com o sistema ancestral do ábaco. Em caso de reincidência no desvio de conduta, o prisioneiro sofrerá a pena da intervenção cirúrgica sem anestesia... to be continued.

.:marcio markendorf

12.16.2010

desvarios de uma língua inventada, suicida e bipolar


cadognisf
acoggnisdf
cadosigin ativogsinicafi
g-g-g-g-g-g
s-s-s-s-s-s-s
i-g-s-n-i-i-f-c-o-d-a
giz
doca
fiz
nico

(...)

diálogo entre mim e minha doce bisavó que ainda não conheci

- olá, senhorita noame, poderia ver
seu passasorte?

- estou vivendo! ajudem-me, por deus, estou vivendo!

(...)

quando eu quero
o touro morre banhado em metais preciosos e
com terminação medíocre

como o touro
vivo correndo atrás da alma que me roubaram
ao nascer

sim, linguagem às vezes é pura magia

(...)

Sr. Eme da Éssi Cê,
morto a xingamentos no dia 25/12/67+3 (regra do arredondamento).

(...)

meu bom senhor, agora que perfurei sua garganta com uma caneta bic preta de setenta e cinco centavos,
vou comprar uma passagem na rodoviária com o troco e viajar para mato grosso do sul, onde vou encontrar o amor da minha vida
e ser feliz até que o sempre decida partir na bicicleta desgastada do meu bastardo filho não nascido
o qual terei em um dia chuvoso e com cabelos na boca.

posso jogar cartas contigo e com seu sangue trapaceiro
até lá,
até já.

(...)

cad-i-sig-in-dof
sei que resolvo o enigma depois que dormir, porque me contaram que todo mundo resolve.

.:gabriel resende santos
imagem: number 32, jackson pollock, 1950

12.15.2010

o ogro



já tinha ouvido falar deles, mas supunha que tivessem desaparecido há muito tempo. a era das fadas, concluíra eu, já havia terminado. eu já me considerava na aposentadoria. no entanto, percebi a inveracidade do meu pensamento quando certa manhã encontrei um deles pelo bairro, perambulando com vira-latas a tiracolo. detive-me com tal paralisia - cheio de compras, contas e contatos de pintores - que poderiam me atirar moedas se os transeuntes me confundissem com uma estátua viva. e eu estava a menos de cinco metros dele. fingi discar um número qualquer no telefone público, olhando para ele sob a guardas dos meus óculos escuros. e era assim ele, o ogro:

registro de áudio do policial fantástico juliano adrian sobre avistamento de ogro: [transcrito]
ele é alto, parece ter entre 30 e 35 anos, cabelos negros, escorridos, de comprimento até a cintura. a pele é cheia de pintas com pelos. anda de modo corcunda, como se carregasse muito peso. suas pernas são ligeiramente dobradas e quando ele caminha parece fazer apenas um movimento estranho, desengonçado, mais do que infantil, do tipo frankenstein que pisa em ovos. possivelmente tem problemas de visão - só consegue observar as coisas virando a cabeça para os lados e projetando o queixo para baixo, em direção ao ombro. aparentemente não consegue focar exatamente a coisa que vê. quando ele olha para os cachorros, ao sinal de doçuras de abanos de rabo, levanta os braços em um ângulo de noventa graus e gesticula com as munhecas de um lado a outro. é possível sinal de retardo mental, característica que, só pode ser, confirma a ogrice. ele se aproxima de meu posto de observação devagar. a essa distância dá para notar que pequenos laguinhos de baba branca se formam no canto da sua boca. seu olhar é injetado, como o de um drogado, as pupilas muito brancas e muito grandes. quando sorri, nos tremeliques com as mãos, percebo que não tem um dos dentes da arcada inferior - na verdade não saberia dizer se perdeu algum ou se é um natural espaço vazio (tenho a impressão que caberia um dedo mindinho nessa abertura, o que poderiam ser dois ou três dentes). ele se aproxima mais, seus braços ficam estendidos ao lado do corpo, sem se movimentar, de modo a parecer ainda mais anti-natural. ninguém na rua o percebe, parece mesmo invisível como deve ser. o ogro passa por mim e do seu corpo se desprende um cheiro de madeira, está impregnado de um cheiro de carvalho ou qualquer coisa assim, muito forte, fato que confirma sua origem. atribuo a ele o registro 3276, tomo b, para o livro de entidades. encerro a gravação para segui-lo até sua moradia e exterminá-lo segundo o código cápsulas-12-benflogin.

.:marcio markendorf
imagem: dados indisponíveis

7.20.2010

o cinema do vazio


(três bichinhas conversam em uma mesa da praça de alimentação de um shopping. uma delas usa chapéu, rímel, um óculos gigante, maquiagem variada, tem 16 anos; a outra, velha, gorda, provavelmente é a "tia" da mais nova; a outra é baixinha, cabeçuda, gorda, usa lápis nos olhos. todas gesticulam muito afetadamente e fazem questão de mostrar que são gays)

b1. ai, gentem, pára tudo. acabei de receber uma mensagem da rodriga. sabia que a loja ****** está com promoção da *******?
b2. jura? que tudo, querida, vamos pra lá depois de nosso almoço de divas.
b3. fiquei sabendo que rolou o maior bafão na ****. não podem mais vender *****.
b1. ai, super queria saber que houve. tenho uma amiga que trabalha lá. vou ligar agora pra saber.
(a bichinha 1, pega o celular *******, último modelo e disca o número da amiga. praticamente pavoneia-se com todas as mãos e munhecas quebradas possíveis).
(bichinha 2 e 3 olham a tv. passa o jornal *****).
b2. olha lá a namorada da eva.
b3. quem? quem é namorada dessa gorda feia?
b2. não sabia? lá na redação só conhecem ela por eva. a evaristo.
b3. ainx. ele é tão fofinho pra essa coisa aí (aponta para tv). eu é que devia ser namorada da eva, eu deveria ser A eleita. ainx, eu tenho mais cútis pelo menos, não é?

b2. mas você ainda anda meio gordinha, daqui a pouco vira cantora de ópera.b3. ai, sua desagradável. eu sei que estou com uma bordinhas e uns recheios. ultimamente não dá para ir na academia. e quando vou, é só vou para namorar os gatos. tem um instrutor lá que é uma delícia.
b2. já pegou msn?
b3. jura, bee, não vou me queimar lá, né? onde se malha o pão não se come a carne. hahahahaha (risada muito escandalosa)
...
o relato foi interrompido porque a bichinha 1 deu um grito ensurdecedor, disse algo incompreensível em dialeto gay e partiram em disparada sob seus tamancos para as escadas rolantes.

(nunca mais foram vistas)

obs.: os nomes de marcas e lojas foram preservados para não fazer merchandising gratuito. 


.:marcio markendorf
imagem: cena aleatória de drive-in, sem data, sem autor.

4.03.2010

big bang

aiduc
es
eplodxe
e
atam
s
rabque
sese
damu

braquedo
atma
sãoero
loadoh
plosãoxe
ida!cudo

OMOB!

cuida
se
explode
se
mata
se
quebra
se
muda

quebrado
mata
erosão
olhado
explosão
cuidado!

BOOM!

.:gabriel resende santos

3.11.2010

sorte

vou cortar a esperança
e transformá-la em sina
quero dividir-me
vou dividir-me
tornar-me pó e matéria discreta

logo serei árvore
na floresta da incompletude
página urinada de jornal
comida enlatada vencida

vou cortar a esperança
e transformá-la em sina

.:gabriel dos santos
imagem: o absinto, edgar degas, 1876

10.16.2009

a história mais infame que a outra

começou a tomar no cu.
vendo os pedaços da pobre vida no chão,
lembrou-se de fazer de novo a pergunta,
provavelmente de quatro:
'mas que será que eu fiz?'.

.:marcio markendorf
microconto da série de histórias infames surgidas como um clarão nas horas mais entediantes do dia. ou também: pequena literatura de pensamentos bestas.
continua com a decisão i-nédita de não inserir imagem ilustrativa [só para propor a manutenção da sacanagem].

10.14.2009

a outra historia infame

começou a tomar gingko biloba.
segurando o frasco de comprimido, lembrou-se de fazer
de novo
a pergunta:
'será que eu já tomei hoje?'.

.:marcio markendorf

microconto da série de histórias infames surgidas como um clarão nas horas mais entediantes do dia. ou também: pequena literatura de pensamentos bestas.

o resultado final conta com ligeira colaboração de oberDan piantino e o pitaco de camila lourenço. com a decisão um tanto inédita de não inserir imagem ilustrativa [por pura preguiça].


9.09.2009

fênix na linha

O vento alisava a chuva à contra-pelo. Como se procurasse algo entre os fios claros de um siamês de pêlos acinzentados, remexia-se cada hora para um lado. Como som de flauta sem nota musical; como o lobo no fim de um uivo sem fôlego; o vento fazia da chuva seu instrumento de desespero. Esta música poderia fazer Oberdan Piantino lembrar do último nove de setembro, mas neste nove de setembro de dois mil e nove ele não guarda lembrança do anterior.
Perdeu a memória daquele dia. Porém, contam-se notícias daquilo que um traumatismo craniano o protege: da lembrança do choque; do vidro quebrando-se sobre seu colo; da carroceria amassando-se de encontro às sua têmpora esquerda; da serra de resgate; das mãos travadas no volante; do som da chuva sobre a carroceria da ambulância; do som de coração descompassado.
Decidiu que produziria outras lembranças. E decidiu, em meio a chuva do hoje que lembra a contada chuva de um ano atrás, que esse seria o dia de seu primeiro aniversário. A caminho do trabalho, escreveu uma mensagem de celular para amigos e parentes.
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09/09/2009 faz um ano do meu acidente. Estou feliz agora de trabalhar, dançar e fazer muita arte. Seu apoio e carinho ajudou. com amor de quem ama a vida, Dan.
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Amor da minha vida!Nao sab a alegria q estou sentindo por vc! Nossa a melhor noticia que poderia ganhar! Meu amigos amaram vcx!Nao esquece que tem + baladinhas!Bjs (B. HU - Fpolis SC)
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Dan, querido! Fico feliz em poder fazer parte da sua felicidade. Um bjao enorme! E viva a vida! (C. Jaraguá do Sul SC)
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Lindo!! Amém Jesux! Oxalá! Alah! todos os deuses e anjos! Te amúú! Bjos (Fpolis SC)
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Eu estou feliz por ter um amigo como vc e de poder estar do lado do Dan na praia.. :-) beijinhos da mitsu (M. Fpolis SC)
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Boa tarde, Primo nos aqui oramos pela sua recuperação parabéns sinta-se abraçado por todos aqui de SP. Transmita minha bença aos tios e ah todos. (M. São Paulo SP)
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Querido irmao vc é seu próprio presente portanto preserve a vida que ela seja repleta de luz.musica.arte e harmonia. De quem te ama K. (K. Fpolis SC)
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Oie primuxo! Nossa to muito feliz por vc...bencao d deus! Feliz em saber q lhe ajudei! Bjao (K. Curitiba PR)
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Querido amigo, fico mais que feliz por estarmos hoje nos falando! Com amor, beijos A. (A. São Paulo SP)
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Feliz Aniversário! (F. Fpolis SC)
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Oi querido. Que linda mensagem. Fico feliz de ter sido escolhida para te acompanhar neste processo. E mais feliz por te ver bem e amando viver. Beijos e até amanha. (M. Fpolis SC)
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Adorei sua mensagem. Num dia chuvoso como hoje, é importante lembrar que as tempestades sempre passam e limpam o tempo pro sol voltar a brilhar. Beijo, J. (J. Fpolis SC)
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Perdao so pude agora.fiquei muito feliz com a sua msg que Deus continue te abencoando e ajudando a conquistar os teus sonhos! sua tia que te ama muito I. (I. Joinville SC)
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Danziiitiuuusss!!!!! Nossa recebi a tua mensagem no cel...o tempo passa voando né ...não posso nem lembrar do desespero que me deu... vê se não dá mais nenhum susto hein Sr. Piantino!!! rsrsrs Conte as novas....(...) Bem vindo a Vida Dan!!! Fico muito feliz que tu ame a vida e se proteja também!!! Mais feliz de pensar q não foi por acaso que a gente se conheceu...isso é certeza... no que eu puder te ajudar conta comigo meu irmãozinho do coração!!! (...) Hoje é quase um dia de aniversário de novo né!? um dia de comemorar o renascimento do Sr. Dan...eu adoro renascimentos!!!!! rsrsrrsssss Bjoka Upppaaa e mais Bjoka te cuida e me mande notícias !!!
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Querido Dan, Fico MUITO feliz de ter um ser humano sensível, crítico, criativo, extremamente inteligente e ainda bem lindo ao meu lado nos meus projetos (...) Sua visão de mundo e principalmente da vida, me encanta e me preenche, principalmente de muita esperança. Você com certeza faz o mundo ficar melhor, tua energia é irradiante e eu me contamino muito por ela! Eu me sinto uma felizarda de ter vc ao nosso lado nos nossos momentos criativos. Sinto tb que o teu acidente te fez refletir sobre vários aspectos da sua vida. E vc soube aproveitar dessa oportunidade pra se tornar um ser melhor. Isso é o que mais me encanta no ser humano! (...) Muito obrigada pela sua presença física e espiritual! Você é um ser incrível, parabéns pela bela jornada! Com muito carinho M. (M. Fpolis SC)
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Saudade e emoção neste dia! Um beijo enorme... te ligo (A. São Paulo SP)
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Que linda a sua mensagem Dan! Muito doido pensar que já fez um ano... E o mais incrível de tudo, saber que você está aí esbanjando disposição e saúde! Que eu - assim como todos os teus amigos - ainda possa partilhar bastante disso.Bjo no coração! Ma (M. Fpolis SC)
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se eu contar...acordei com sua mensagem.. e fiquei feliz. foi muito bom rever o senhorito! muito bom saber que anda fazendo bastante arte e que anda apaixonado pela vida.. a gnt deveria mesmo..sempre amar a vida apesar de tudo. e muito bom ter você por perto. [mesmo que de longe! entendeu, né?!] vê se se cuida sempre. um beijo e saudades. (A. Fpolis SC)
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Oi Dan, Recebi tua mensagem no celular. Eu é que te agradeço pela lembrança e carinho. E fico muito feliz em te ver lindo, recuperado e cheio de vida! Beijos G (G. São Paulo SP)
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.: oberdan piantino
registro literário de uma obra de escrita espontânea, porque a escrita contamina e se desdobra: fio de sentimento que atravessa, reverbera, e aquece. No caso, em 09/09/09.

palavras detrás do cântaro baixinho de barro

adeus eu posso dizer. ronronei de volta. antes fosse o sorriso de um gato de shemag, que ficou me ronronando horas o nariz sem saber. pois a inglaterra encolheu o navio petroleiro. salve a rainha, pois o iceberg com o último ornitorrinco perdeu-se. quem diz a deus? antes fosse cat & smile, uma loja de departamentos. fiquei comprando os desejos sem saber que os produtos me compravam. pois a girafa virou cavalo e encurtou no ramo do pescoço. salve o pajé, embora o milho tenha sido pouco e as índias, secas. posso dizer eu? antes fosse les chats, de baudelaire, subindo as paredes dos rins de ouro. pois a cartola tirou do mágico o coelho. salve lacan, pois a palavra nunca seca nem cai do prato que me lambeu o cuspe.
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.:marcio markendorf
imagem de rafal olbinski

5.05.2009

os historiadores divergem

Título:
um personagem no centro da página. não, ele está descentrado e faz parte de um coletivo. são todos invisíveis mas são um coletivo. esse personagem é feito de remendos e serifas, e cresceu em uma tipografia alemã do início do século XX. pensando bem, a tipografia era italiana e só imprimia rezas para os peregrinos da praça são pedro. o personagem nunca esteve na praça são pedro, era protestante e não reclamava de nada. ele só tinha um livro, uma coletânea de contos infantis, que fazia vez de travesseiro nas noites de inverno. aparece uma personagem e muda tudo, ela descobre como trocar as letras e fazer dos textos profanações. ela não sabia ler, mas inscrevia detalhes que faziam os padres gemerem durante a missa. o filho do personagem descentrado foi ateu e quase inventou uma máquina de espantar sonhos com o maquinário da família, algo que poderia ter sido uma nova forma de psicologia.

Conto:
os historiadores divergem.

4.19.2009

carta em caixa

Hopper,
quero abrir a caixa pedaço por pedaço. quero fazer dela um mundo novo, uma pós-pandora enternecida, viva, quente, cativante. quero descobri-la com meu toque, com minha fome, com minha vontade e acho que estou perto disso. chegou há duas semanas a caixa que você mandou de sua viagem pelo Egito (creio Egito, pelos hieróglifos que contornam a base). Henry achou estranho que o embrulho não tivesse selo e foi por isso que me entregou sem abrir antes (a falta de selo me salvou! até quando?). ele continua achando que Ana já disse tudo e que minhas investidas literárias são piegas e pouco atuais. shock! precisei de uns dias para voltar a minhas idéias de livros e da editora na qual nos vejo trabalhando daqui uns 30 anos. my dream, my dream. sim, continuo lendo as correspondências de Ana, mas queria mais ler os poemas dela, as ficções (vivo na confusão de não saber como ler as cartas dela, às vezes parece que não escreveu para mim). estou fazendo roteiro de vídeo, pensando em como fazer sobreviver um pouco da arte que posso fazer. as leituras, god! estou com tudo atrasado e lendo cada coisa de virar os miolos, chego a ter overdose de conceitos. você deve me achar crasy de entrar naquela aula da pós, com aquele professor crânio e aquele povo babando em volta, mas eu quero é pensar e não boio tanto quanto você imagina, já leio filosofia a um tempo. de resto tô com saudades de todo mundo daí do outro lado do mundo. soube do jesse? ele sempre me vem a mente. desisti da psicanálise de vez, não é pra mim. mas tô lendo sobre Lacan com Hegel, e descobrindo que o pirado não sou eu, nem meus amigos. nem acho que você tá pirado em pintar alucinadamente as minhas cartas. acho que estou em lua-de-mel com Ana, até a hora que ela agüentar. a caixa é linda, tem um ar sisudo de coisa séria e complicada, mas é linda e combina comigo, com a minha mesa. já tô me vendo no chão tentando abri-la. vai ser difícil, mas acho que consigo. ah! lembrei de um filme em que eles abriam uma caixa-enigma com um sopro. acho que vou rolar dias com essa caixa, transar umas soluções loucas para desvendá-la. parece brinquedo, antigo, não sei. quase toda noite tenho o mesmo sonho, encontro palavras dentro dela. "quero descobri-la com meu toque, fazer do contato uma chave, da chave um frisson, possuir o dom de escancará-la a dois, a três, as quatro da madrugada. quero ter a caixa aberta, entregue, desvelada. soprar a poeira gasta", acha um começo muito explícito pra um conto?

Your evers,
E.

ps.: I'm Hopper too.

.: oberdan piantino
florianópolis, 19 de abril de 2009
(carta-experimento amplamente baseada nas correspondências de ana cristina césar
e em possibilidades ainda não trabalhadas das cartas de edward para hopper, imagem Hopper "boy and moon", sem data, aquarela e tinta da china).

4.16.2009

ruivos dos novos tempos

.É bem provável que vocês nunca tenham ouvido falar de Fiorella, nem mesmo de seus macacos adestrados. A história, meus caros, nunca teve espaço para os fabulosos macacos de Fiorella e seus feitos fantásticos.
.O macaco Bigorno, grande limpador de vidraças, não foi parar nos livros de arquitetura, mas seu dono sim. Bigorno é uma mancha na fotografia onde se exibe o sr. César de frente ao seu Olimpus todo de vidro sem fim.
.Basílio, Bolucho, Bocártio, Betúsio, Birulento, foram seis os primatas adestrados pela moça e poderiam ser mais, não fosse o macaco Burilô e sua resistência ao adestramento.
.Foram em vão as técnicas de contato e premiação com as quais Fiorella tentava fazer Burilô se mexer, mas ele, vestido de calças largas e suspensórios, vivia preso à subversivos pensamentos de novos figurinos e divertimentos.
.Depois de um ano, a resistência silenciosa do macaco fez de Fiorella uma moça careca. Burilô continua pobre, mas cheio de prestígio. Dos tufos que Fiorella arrancava em seus surtos de raiva, Burilô fez perucas para todos do seu convívio.
.Não há fotos, mas corre um mito na boca de muitos. Nunca se viu espécie de macaco mais inusitada do que aquela do macacos ruivos.
.Agora que sabem a história dos macacos e sua humana careca, fiquem atentos. Se virem tufos dourados pelos jardins são ruivos dos novos tempos.

.: oberdan piantino
florianópolis, 16 de abril de 2009
(2ª versão de rascunho de 04/06/2007 do caderno de idéias e impressões, aquele de folha de rosto preta)

1.07.2009

segundo o dicionário emocional ainda a ser criado




amor
.substantivo comum aos dois gêneros.
.derivação: por extensão múltipla dos sentidos.
.uso: formal/informal.
.pode ser flexionado em todos os gêneros, números e graus. (incluindo as escalas infinitas e absurdas)

o amor é uma exploração sintomática da primeira pessoa em relação a uma segunda, que em geral, não tem nada a ver com a primeira, mas que por força de um movimento anormal da pulsação cardíaca, da alteração involuntária do controle emocional, da respiração engasgada, da disritmia entre paciência e impaciência, do movimento ciclotímico do humor (que tende a ser muito bom em presença e muito ruim sem a presença da segunda pessoa), provocam o desejo para-inconsciente de aproximação recíproca e dedicada entre duas bocas, dois corpos e dois corações (com tendência bruta para fusão).

consultar futura página 1, seção 1, parágrafo inteiro

(imagem de gustave klimt: "o beijo" (detalhe), 1907/08)