
Jorge Pescados: reciclando detritos para melhor lhe atender.
Peixes são vendidos a cada quinze dias.
.: philipe macedo pereira
dentro do ônibus, um artista.
dentro do ônibus, um escritor.
dentro do ônibus, um professor universitário.
fora do ônibus, em bmw's, estão:
açougueiros, salafrários e insensíveis.
.:marcio markendorf

As 3 Marias
Maria Loca
Todos os dias de manhã,
Antes de levantar,
Come três bolachas Maria.
Diz que é para evitar o enjoo
Diz que a bolacha faz um tampão no estômago
E a deixa boa para enfrentar o dia,
Naquela rotina que lhe dá ânsias de vômito.
Maria Loca aprendeu com a avó
O segredo das três Marias
Uma avó que não é astróloga
Nem benzedeira
Uma avó que sabe que o mundo é difícil de suportar.
.:marcio markendorf
.:marcio markendorf
microconto da série de histórias infames surgidas como um clarão nas horas mais entediantes do dia. ou também: pequena literatura de pensamentos bestas.
o resultado final conta com ligeira colaboração de oberDan piantino e o pitaco de camila lourenço. com a decisão um tanto inédita de não inserir imagem ilustrativa [por pura preguiça].
A pequena criança enfia a mão sem dó na areia, enfia na boca, com gosto. Com aquele mesmo risinho que puxou o rabo do gato ontem. Gato manco, despelado, que mordeu a criança, sem dó. Atropelado também o irmão mais velho, descuidado, com a mochila sempre aberta: dinheiro, celular e chaves. O óculos arranhado na parte superior esquerda: único sobrevivente. E não percebem. Todos ocupados e ausentes. Não percebem. Eu disse: só não tá tudo bem, Tenho que desligar. Imaginei. A mão da criança agora desce até meu Estômago, ácido, arranhando da areia. Que guarda tudo dentro dele, uma duas três semanas. E fico inchada de tantas coisas lá, sem náusea, sem sentir a ânsia. Redondo, redondo. Lixa até sangrar, descola a casca da grande cicatriz, jorra feito vinho. Larissa aperta meu estômago como uma esponja, porque a dor escorre pelos dedos dela. Larissa, ouça, a mãe chama. Ela corre e com a garra aberta, quer passar por minha garganta: entala. A desgraçada da mãe chama. Larissa, fecha a mão! A sua amiguinha de blusa verde tem um nariz falso, com aquela cara de cachorro magro, com muitos donos. Larissa, teu pai comeu sua amiguinha sem a blusa verde: e você vem aqui vingar o meu estômago. Sai Larissa. Fecha a tua mão de bailarina gorda e devolve a identidade do seu irmão.