10.01.2009

a história infame

Quando eu crescer, queria ser anão.
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.:marcio markendorf
microconto da série de histórias infames surgidas como um clarão nas horas mais entediantes do dia. ou também: pequena literatura de pensamentos bestas.
imagem: dutch giant jan van albert with his wife and dwarf beppetoni, 1910.

8 comentários:

danpiantino disse...

"quando eu crescer, queria ser anão."
quando eu crescer, QUERO ser anão.
Não, queria, não, quero.
quando eu crescer, QUERERIA ser anão.
Não, ria, quereria ser anão.
quando eu CRESCI, QUERIA ser anão.
Não, ia, QUERIA ser anão.
QUERIA, QUERO, QUERERIA, QUEREREI,
Não, QUERIA ser anão.
.
.Afinal, o uso do QUERIA é um quero no passado? um já-não-querer?
.Não, quem queria ser anão?
(poema, "série de perguntas tolas de um pato que não é, nem quer, ser da literatura").

camiss disse...

do verbo querer...
eu quero
tu queria
ele quis
nós desejamos
o que, afinal?

MCris disse...

Quando EU crescesse, queria não.

oberDan piantino disse...

o desconcertante é crescer... não querer mais ser GRANDE... já que não dá para ser como quando PEQUENO, por que não ser aNão? esse negação do crescimento... ser híbrido o aNão - afirmação do já-não-ser-criança e negação do crescimento.
Camiss, desejamos não crescer crescendo... ou crescer não crescendo.
MCris, seu comentário, tão curto quanto o microconto do marcio, abriu meu pensamento. Incrível o universo que pode se esconder em uma pequena frase.
simplicidade poética (desse pó o sinal de um escritor ético?). Viva a Peter Pan!

marcio markendorf. disse...

e eu que tinha pensado uma frase boba sobre a tensão de imagens entre crescer [a fantasia de ser adulto] e querer ser anão...

até hoje não consigo entender o que quer dizer com escritor ético.
se a literatura é o campo da subversão das formas e das normas, haveria algo assim?

marcio markendorf. disse...

e eu que tinha pensado uma frase boba sobre a tensão de imagens entre crescer [a fantasia de ser adulto] e querer ser anão...

até hoje não consigo entender o que quer dizer com escritor ético.
se a literatura é o campo da subversão das formas e das normas, haveria algo assim?

oberDan piantino disse...

Se partirmos do pressuposto que literatura É subversão, realmente, o escritor que você É (ao querer ser) não tem como ser ético. Mas se, ao invés de literatura, eu percebe-lo como alguém que faz escrita, então o que faz é expressar-se artisticamente. Sendo algo em direção à arte, por isso passível de enganos, avanços, dobras e retrocessos, logo, cada escolha sua é uma escolha em direção ao fato inelutável que será lido e o querer ter o texto lido o faz se comprometer com certas redes de significantes, sempre coletivas, sempre atuais. Que tensão mais presente do que a que envolve o crescimento? e você escolheu materializar essa boba e tensa e necessária questão no mundo, mesmo que seja o virtual (não por isso deixando de me mobilizar e a outros leitores).
Sim! consegui fazer o primeiro tratado sobre um microconto. E aqui vai o menor microconto do mundo: ".".

Margot disse...

Definitivamente vcs ainda vão pirar a minha humilde cabecinha...